eu me recuso.

a parada não é gay. a gente para pelas bi, pelas lésbicas, pelas trans e intersexuais. a parada não é gay.

e não é contra os gays. a parada não é gay. a parada não é só gay. 
a gentd precisa reforçar a unificação do movimento, trabalhar na coletividade e por tudo que é mais sagrado y assina em nome da luta, cuidemos e olhemos pro jeito que nós expressamos a nossa luta, protagonizar e privilegiar um gênero e uma opção sexual em um movimento LGBTI é dar voz e apertar o gatilho que matou dandara e marcos paulo, que matou luiza, luana, murilo e claudia.

a parada não é só gay, saibemos em nome de quê mesmo estamos gritando e se o grito soa da forma correta.

eu não sei separar as coisas/seis mensagens

três da manhã, parecemos estar enroladas pela batina do padre

eu adoro esse barulho de coisa molhada quando adentra

o confessar e a intimidade que a noite traz pra qualquer gesto

você me falou exatamente a mesma coisa, 

não deu tempo depilar a perna e nem a virilha

é difícil ver de verdade, e explicar o tempo todo o porque de tanta inteireza as três da madrugada

as pernas se abraçam, o braço cansa, a unha grande

suor dividido, pouca ventilação e ventilador

uma fumaça mais quente que o projetor queimando durante 13h coberto de plástico, 

o roçar circunstancial, um abraço infernal de ida e volta, que sempre parte e deixa muito

o querer vem sempre como enganxar o mindinho no criado mudo do lado da cama materializado em microincetos soltos pelo meu corpo em todas as partes que há você e seu toque

de transpasse

toque dos outros mil que te tocaram

toque de queijo, de beijo

toque de veneno

de coisa desejo, de toque voo

de palavra, de toque de queda

de coisa viva

que bagunça

que permuta e morre

que volta, toque de galho em galho

de moeda a moeda

de dente por dente e guerra

toque das suas dores, dos amores outros

do tudo que você foi antes de ser comigo

e continuou sendo, toque de ciclo

de todas as palavras, dos seus escritores preferidos

toque de cegueira e de totalidade,

porque eu me criei em não saber separar muita coisa e a sempre remeter,

a gente chama de gozo assim que acorda na mesma cama e no mesmo corpo mas a gente sente a dispersão das grandezas que rodeiam o amor das piores e mais absurdas formas se espalhando por todas as ruas e becos corpóreos, onde anda e são, mais que todos os outros, nossos

engraçado você falar em demonios e azulejos

bicho do mato de caça e de medo talvez não deva ser o bezerro que conheces

uma vez me falaram que minhas cordas vocais são gemedoras e bezerraticas

e eu sempre falo disso

porque

nunca aprendi a separar as coisas

ser tudo mostrar tudo e as vezes falhar e dizer que não, eu nunca aprendi

mas eu também nunca entendi a comparação até sentir queimar os olhos em um virar contorcido e lento e pesado e suado 

a coisa comprida que apareceu no meu peito de pensar que você me penetrava em todos os sentidos e

que

ao

menos

uma

vez

um clichê valeria a pena

e o eu te amo, no meio de quase tudo que estamos ao alcançar uma da outra, que eu sempre repito

porque eu não sei separar as coisas

qual gatilho tem sido nós -para o bem para o mal- na vida de nossas crianças?

A medida que crescemos e entendemos o que é o tudo que engloba a palavra mãe -representada aqui por qualquer pessoa que nos trouxe ao mundo além do biológico, pode ser um pai, uma tia, um avô, professora, etc- aquelas pessoas que nos fizeram acreditar e associar a vida diretamente e muitas vezes á esperança, quem nos deu a luz e nos ensinou a conhecer e ser essa luz, e por isso elas se tornam nossa certeza, nosso lar, serão pra sempre o lugar que conhecemos assiduamente e de olho fechado, que colocamos a mão no fogo sabendo que elas por nós fariam mesmo quantas vezes fossem as precisas, que podemos andar por todo e qualquer caminho, parar numas estradas e viver dos pulos em galho em galho sem ao menos ligar e explica-las sobre o tudo bem, e mesmo assim saber que podemos voltar, é termos certeza sobre alguma coisa na vida, além da morte. Nossa mãe é a primeira sensação de segurança, a gente deposita nelas uma responsabilidade e confiança maior até mesmo que nós, e eu, que não sou mãe e apesar de ter os dois pés e a alma na maternidade, talvez esteja longe de realmente sentir com propriedade sobre, mas e se a gente pensar na palavra mãe como uma responsabilidade de mundo, o que eu piamente acredito que seja e por isso endeuso a ideia de preparação (psicológica, humana e afetiva. economica também) quando se trata da maternidade, não é só a responsabilidade de alimentar, cuidar, educar uma criança segundo as nossas convicções e princípios, é uma responsabilidade de e com o mundo, é sobre o papel que aquela criança, mais tarde, vai exercer na sociedade e o que isso e como isso será para ela, e para todos que a rodeiam. E é impossível alguém ter passado por esse mundo hoje, sem se perguntar ao menos uma vez: pra onde estamos caminhando? e o peito aperta, parece que tem um sirene na consciência, as costas entortam, e depois da primeira vez da autopergunta, quem ainda tem um pingo de compaixão e esperança na terra, sabe que ela ecoa internamente infinitamente, mesmo a gente tentando se mexer em prol das nossas acreditanças, é difícil, dói, pesa, e ecoa.

A origem do que vemos e de como vemos, do que vivenciamos e de como as experiências ficam em nós, do que ouvimos e do como interpretamos, é tudo um reflexo impiedoso da nossa origem de vida também, uma doideira, que se liga também com a questão de ter quem nos direciona e a forma que nos são mostradas essas direções: começo da vida, voltando lá pro início ou como forma de progresso. É responsabilidade humana educar e proteger nossas crianças como instrumento para formação de um mundo melhor, e o que nós, em um mundo Temer e Trump, em um mundo hoje, que há uma onda de conservadorismo e conceitos retrógrados e cegos se espalhando e chegando em todas a camadas socias, estamos fazendo por aqueles cujos depositamos nossos futuros, de nossos filhos, de nossos netos, de nossas certezas, de nossas fés? o que nós estamos fazendo pelas ou com as crianças de hoje, nesse mundo de hoje? É preciso olhar com toda e maior atenção, com todo e maior cuidado, com carinho, com afeto, precisamos ser o exemplo mais completo de pertencimento da raça humana para os nossos pequenos, é preciso desformar a cultura do ódio e do assédio, (assédio s. insistência inconveniente, persistente e duradoura em relação a alguém ou a uma situação, perseguindo, abordando ou cercando) é preciso nos desconstruir diariamente para depositarmos neles o que não foi muito bem depositado na gente mas que acreditamos semear o respeito e ser um rumo melhor para a galáxia, ensinar nosso corpo como algo bem mais que a sexualidade e não é preciso adultizar crianças para falar de sexualidade, há uma arma poderosíssima de se chegar ao outro e de se fazer entender sem agredi-lo ou abusa-lo, chamada diálogo; é preciso educar para a liberdade e empoderar, mostrar o outro lado, o lado que não é feito de ódio e rancor e não, esse não é o lado que não erra nunca, mas o lado que cresce com o erro e depois supera, e depois volta a cantar e não se dói por cantar sobre ou lembrar as cicatrizes, mostrar o lado bonito que o mundo pode ser se a gente se transformar primeiro, se a gente acreditar e se mexer, estarmos prontos para fazer uma revolução em nós mesmos, naqueles que moram na gente e naqueles que temos como casa.

é um apelo: sim! cuidemos, amemos nossas crianças, e tentemos ser, alguma vez na vida, em algum momento, com filho ou sem filho, homem ou mulher, tentemos ser ao menos uma parcela do que é uma mãe, para o mundo.

p.s. vocês já pesquisaram a palavra jovem seguida de mata no google?

”para vingar a morte do pai, jovem mata padrasto após bebedeira em família.”

http://m.correiodoestado.com.br/cidades/dourados/para-vingar-a-morte-do-pai-jovem-mata-padrasto-apos-bebedeira-em/303960/

”rapaz confessa estrangular cunhada e se mata.”

http://istoe.com.br/rapaz-confessa-estrangular-cunhada-e-se-mata/

”ex namorado é o principal suspeito matar jovem de 17 anos grávida, bebê foi salvo e está na UTI.”

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/ex-namorado-e-o-principal-suspeito-de-matar-jovem-de-17-anos-gravida-bebe-foi-salvo-e-esta-na-uti.ghtml

tirando os que agora mesmo, estão a beira de jogar a própria vida -ja perdida a muito tempo- ao precipício, e a nossa relação com esse sangue é tão íntima quanto a da mão que aperta o gatilho, apertamos gatilhos diariamente, e o que estamos fazendo para limparmos esse sangue das mãos? o que fazemos para não apertarmos esse gatilho? são mais de trezentas páginas, que eu não tenho estômago pra ler e escancarar mais ainda o nível que chegamos. é preciso abrir o olho sobre o massacre humano que está acontecendo e sobre o que somos nós enfiados nisso tudo e fazendo parte, para o bem, para o mal. 

nota #1

eu, me criada de uns anos pra cá numa domesticação da linguagem sem fim, pessoa meio das palavras, eu, me calo. 

uma corda rasgando a última veia da goela, corda vocal tremendo, as mãos fugindo das comunicações e se agarrando ao corpo, abraçando o tremeliques, as desvontades e as ânsias, o suor interno e o choque externo, sufocando letra por letra. 

eu, semente

ter pra onde correr sempre é lugar vago na memória, até que a gente se encolhe no espaço-tempo do nosso próprio corpo e se acha, perdida e meio turva, mas estando ali mesmo assim. o lado que corre pra dentro de si em calor de despero jorra aguaceiro de estar fazendo o certo, #2

dias de cão em horário de transição, é gostoso saber que nos cuidamos e nos conhecemos bem a ponto de entrar em pranto e querer ser acolhido pelo que somos, saber que temos lugar pra nós dentro de nós, e que cabemos, em nós mesmos.

tour desafogo auréola carinho orelha rede, das palavras que eu mais gosto, meus avós

semana passada eu terminei de ouvir a Svetlana falar sobre o sentimento, a sensação, os cheiros e as dores da guerra, anteontem meus avós completaram 46 anos de meu bem e tudo que faz parte desse conseguir ser juntos.

ontem, eu ouvi sobre o sentimento, a sensação, o cheiro e as dores de tudo que coube nesse muito tempo, eu não ouvi as histórias todas ou quase nenhuma, não ouvi sobre os detalhinhos ou sobre o que aconteceu e prevaleceu.

eu não conheço nesse mundo quem fala mais e mais rápido do que minha vó, quem tem uma habilidade em mudar e criar assunto que é de outro mundo de tão massa, sim, a minha vó fala, hoje, o que eu ouvi foi um negócio estranhamente doido no corpo porque não era meus avós quem eu tava escutando, era algo mais doido ainda, que conseguia firmar tudo que eu sou e que venho me tornando. a vó tava fazendo o café e me dizendo da comemoração dessa aventura, de como ficou com o coração emocionado, de como é engraçado e estranhoebom isso do tempo mostrar que as coisas são guardadas e contadas depois de um jeito tão íntimo e gostoso de saber, que na lembrança ainda moram as coisas de sempre e do quanto essa Aventura de acontecer junto de alguém não se apaga, ela tava falando e falando e falando e eu me peguei ouvindo de mim mesma, de quando eu era bem mais criança e enxergava as coisas, principalmente meus avós, de um jeito cego com uma auréola de normalidade e santidade, quando via eles se beijando, cutucava a perna da minha mãe embaixo da mesa, eu lembrei que eu passei dois anos morando com essas histórias e todo dia na hora do almoço, sem chuva ou com chuva, quando ele chegava em casa pra almoçar ela corria pra fazer um suco e passava por ele dizendo ”ô meu amor, vou fazer um suco pro homem mais lindo dessa casa”, e levava suco e água, e eu nunca tinha pensando nisso até então e nunca achei uma grande coisa, quer dizer, agora eu acho, quer dizer, e eu não quero falar sobre isso, quero falar que meus olhos encharcam de fazer parte desses momentos, das história, de que nesse mundo temer e trump é bom ter quem esteja lado a lado com você, pra olhar com apoio ou com alívio, dizer que vai dar tudo certo, de outra e vez numa frequência infinita, ver motivo na loucura e no que a gente julga muuuuuuita loucura, sem ao menos tê-la perto da vida, de numa frequência infinita agradecer a todos os deuses, mapas, astros e karmas ter vocês e saber vocês, que tanto amadureceram a minha visão sobre o amor e outras coisas do universo, que fazem parte da minha relação com os mistérios do planeta e que fazem, todos os dias, esse ser um todo ser muito mais único e delícia de ser, que me faz ver motivo nas coisas mais bizarras ou bregas possíveis, que me fazem descobrir o mundo por outros olhos e querer compartilhar. 

eu me ouvi, e era sobre vocês em mim, sou lotada de amor quando se trata de ter vivido e viver a grandeza desse love, e como acho certa a Tiburi: o amor é histórico. é bom ter vocês em mim, dessa convivência de troca, de base, de acolhimento. é bom demais ter de quem ouvir histórias de um tempo que a gente não viveu mas se desmonta por querer saber, porque esse tempo acaba que se instalando na gente a cada fragmento de cor, suspiro e entonação contada. uma vez eu vi um documentário e dizia que os avós são os que mais ajudam o nosso imaginário, por sempre ter alguma história pra contar, boba que seja ou não; e deve ser por isso que vivo pra lá da lua e é sempre difícil demais aterrissar, mas quando comecei a enxergar de verdade, vi que minha ligação com vocês é algo muito mais real, não de não ter ouvido as histórias ou menosprezá-las, mas de estar presente pra ver como as coisas vão se formando, de criar histórias com vocês e de acontecer também, de estar pra ver como é um negócio tão bom esse de viver o amor, em meio ao rumo que o mundo vai tomando, de acordo com o que a gente não acredita ou não, com sol ou com chuva, com dinheiro ou sem, estar ali, se permitir, viver amor.

e essa foto é de 2013, quando eu cheguei domingo de tardinha e a cachorra não latiu, só a televisão falava, e que eu tinha levado celular e que é tão bom também quando a gente consegue registrar além da memória uma coisinha dessas tão amorosa e calorosa de significado.

tempo sim

ai se não tivesse nunca tido um amor pra poder cantar rita lee e sentir um calorzinho lá dentro do peito, no mesmo ritmo sonoro, na mesma sauna de ficar.

se nunca pudesse saber da dor e da delícia de entender e deitar sob neruda
pensar justinho em como que ele já era certo em saber do deleite da tinta antes mesmo do vazio existir
como neruda quis,
estar só por estar.
ai se não tivesse nunca experimentado os suspiros moços que parecem uma galáxia toda dentro da gente; uma hora universal do sentimento do mundo e de drummond em sintonia com um instante só, e cabe.
se não tivesse nunca vivido o regozijo de residir em um cafuné ou em um silêncio que se aguenta e se sustenta porque sabe este demais do coração tanto que há ali.
de deus me livre se deus tivesse me livrado mesmo de conhecer os sentidos de gonzaguinha, de saber do ziguezague de ser tantas vontades e tantos sonhos de tanta gente em um só corpo e que ao mesmo tempo, vive ao léu da solidão. 
o abismo ou qualquer que seja a coisa, sem o amor causa estranheza
surge o amor,
como lucidez em saber da voluptuosidade dessas tantas vontades e tantos sonhos de !tanta gente na gente e sem querer nos faz ser essa expressão viva da demasia, saber que cada parte nossa -que já é composta por muitas partes de outros e nunca sozinha- sempre está de abraços prontos pra outras tantas vontades e sonhos do outro, esse monte de pedaços de gente que acharam casa na gente, e cabem. se encolhem e se contorcem, ficam juntinhos, formam, crescem, geram espaços e acontecem, acontece quando cada gotícula da nossa subjetividade se adpta a cada gotícula da subjetividade do outro e acolhe, e cabe.
ainda bem que eu tive um amor 
pra me ajudar a entender essa doidera toda do gonzaguinha.
ainda bem que eu tive um amor pra me fazer descobrir um monte de música gostosa, entender um monte de dança, de ângulos e de luzes; pra me ajudar a compreender o chico, o rubel e a amélinha, pra me falar das garota suecas, me mostrar o jeito felindie e me fazer escutar raça negra sempre no replay.

ainda bem que eu tive um amor, e que eu tenho um amor, que já se transformou noutros tantos amores e não se modificou, que vive em se acrescentar, que já se eternizou em um bocado de instantes, que já conheceu outras casas e que se alimenta só do outro, do calor ou do que seja o outro, que se alimenta do que fica e se transforma ou vice-versa.
é agoniante sim e um esforço tremendo pensar o lado bom das coisas que doem na gente como uma hecatombe, talvez, e ainda bem que eu tive um amor pra me fazer admitir o também lado bom das coisas que doem. não sei se afrodite e eros se puseram aos olhos e a música alheia assim como estou, por motivos nossos em comum ou não, é que eu sou espaçosa mesmo. ainda bem que eu tive um amor,
pra aflorar ainda mais esse meu sol em câncer ou pra ficar sentimental em pleno domingo a noite.

II,

e ainda bem que eu tenho um amor, que nesses voos demorados e agoniados, que nesses voos de nunca mais pensar voltar, a gente descobre que coração é coisa doida e não é da gente não, e é gostoso descobrir como a gente pode ser do outro e o outro da gente de um jeito tão natural e de repente. e que nesses voos de tanta coisa não sendo gasta e de uma saudade que escorre a cada passo, ainda bem que eu tenho um amor, que mais que tudo de coisa outra de coisa voo saudade, pousa por aqui vez em quando e quase sempre porque existe e toma os dias numa amarrança de fé e coragem, que desmonta todas as teorias que questionam o amor numa ligeireza sem igual, e faz do momento, a palavra mais infinita. 

a gente vai deixando a vida ser álbum da rita lee, com prega de chico, que você gosta e que se o amor tivesse que escolher casa fixa pra morar sozinho, seria chico essa casa mesmo. e como é bom viver amor em casa fixa, que nos ouve e nos entende, que parece já ter previsto todas essas palavras que tudo dedico a nós.

matutando ou desafogo a Pedro

joão tem um ano e alguns meses de terra, sei que já completa mais um ciclo e vamos ter que ensinar ele a dizer que tem dois aninhos, ele se acostumou com um aninho e já fala de um jeito profissional orgulhoso, como se coisa de idade não fosse mesmo uma metamorfose ambulante, mais até que raul. laryssa, tem 20, pedro ainda passea pelo corpo dela e pelo nosso coração, ainda não ocupou forma fora da mãe e vez em quando a gente matuta juntas essa nossa vontade de ver logo a cara dessa criaturinha que nos escapole a febre constante da vivez e faz da gente travesseiro e amor, faz da gente plano e vontade, eu tenho em mim que a coisa mais sagrada do mundo não é a palavra, e sim a intimidade, ter intimidade de mundo é viver, ser e transmitir liberdade real. pedro, desculpa a tia ser voadinha da cabeça assim e meter mundo no meio do que é para tu, eu só quero te explicar que quando a gente tem intimidade com o que a gente é e com o que o mundo é pra gente e com o que a gente é pro mundo, a gente é livre, pedro, porque aí a gente se conhece e aí sim a gente aprende a ser, e não há nada mais que explique liberdade do que isso, e é um negócio meio confuso e meio doido, sabe? eu nunca vou ter coragem de te explicar isso olho a olho, eu acho que ninguém nunca me explicou isso, espero que não consiga te explicar também porque senão vou te despropocionar o mais mágico desse universo, que é ser e sentir descoberta, eu quero estar a fitar as mesmas luzes que saem dos teus olhos e a vontade de correr a cidade toda, ir mostrar pra alguém ou gritar, quero te dizer que nas coisas mágicas, é bom se jogar sozinho, a gente aprende mais quando não tem onde enconstar o queixo, mas se tu quiser se escorar aqui, tem passe livre e ja vai crescer sabendo. é, pedro, ce vai nascer sabendo esse quanto que me empolgo na escrita e o quanto que te quero bem. essa foto foi no quintal da vó, vó do joão e bisa tua, Pedro, esses pés de planta no fundo e esse muro tem muita história massa que ainda hoje me pego matutando e rindo no meio da meditação, pensando um dia te contar, esse quintal já mudou de jeitos drásticos e não perde a beleza e o conforto, um dia você vai pensar sobre isso no meio das tuas descobertas de mundo e tua mãe vai concordar com a cara de manha que ela tem, vai falar da vó, de quem ela faz mais manha ainda quando fala. a tua mãe, pedro, também já foi minha e me dava uns gritos, umas palmadas, eu dormia enroscada nela e acordava com os cabelos suados de baba, ela fazia comida todo santo dia por mim e inventava uns troço doido pra colocar dentro do miojo, eu vivia falando que era louca pra sair de casa, morar e ser sozinha, ela saiu primeiro e eu nunca valorizei tanto um cuidado enroscado como depois de os dias dela se enroscarem com os meus de um jeito miúdo, fracionado. quando eu nasci, pedro, tua mãe me pediu pra ela, ela tinha quatro anos de mundo e não sei se me deram pra ela mas ainda me encontro dela em cada música da legião urbana e catedral, coisa dela também, que nem a gente. 

que diabos a gente gosta tanto de viver nossa memória em dias propícios ao se perder, esse negócio de matutar e querer morar nas memórias e ter pressa e lembrar de ter sentido e continuar sentindo, esse negócio de ser ter casas dentro da gente e morar noutras dentro de outras pessoas, isso tudo. 

mundo não é fácil, mas vez em quando, momento perdido assim, a gente deita sobre coisa tão boa e explode sem deixar cacos, porque a gente explode pra dentro e se contenta, e isso é tão bom.